Há uma ideia instalada de que migrar para a cloud é sempre mais barato. Não é. A cloud troca um investimento inicial grande por um custo mensal variável — e essa troca compensa em algumas situações e não compensa noutras. Vale a pena decidir com números.
Quatro perguntas antes de decidir
1. A carga é constante ou tem picos? Se o servidor está a 20% de utilização o ano inteiro e sobe a 100% em dois períodos, a cloud ganha: paga-se capacidade só quando é necessária. Se a carga é estável e previsível, um servidor próprio bem dimensionado pode sair mais barato.
2. Quanto custa uma hora de paragem? Esta é a pergunta que mais vezes muda a decisão. Se o negócio pára quando o sistema pára, a redundância que a cloud oferece de forma nativa é difícil de replicar num único servidor num escritório.
3. Quem administra isto hoje? Um servidor local precisa de alguém que faça actualizações, verifique backups e responda às três da manhã. Se essa pessoa não existe, o servidor local já está a custar mais do que parece — só que o custo está escondido no risco.
4. Que dados estão em causa? Há informação que, por contrato ou por regulação, tem de ficar em determinado território. Isso não impede a cloud, mas condiciona a região e, por vezes, o fornecedor.
O que deve fazer parte do plano
Uma migração sem plano transforma-se numa semana má. O que incluímos sempre:
- Inventário completo do que corre hoje, incluindo aquele serviço que ninguém sabe explicar mas que alguém usa.
- Ordem de migração, começando pelo menos crítico, para ganhar experiência com risco baixo.
- Plano de recuo. Para cada passo, como voltar atrás e em quanto tempo.
- Ambientes separados. Pré-produção e produção, com a mesma configuração descrita em código.
- Backups testados. Um backup que nunca foi restaurado não é um backup; é uma esperança.
- Monitorização com destinatário. Um alerta que não chega a uma pessoa concreta não serve para nada.
Controlar o custo depois
O erro mais comum não acontece na migração; acontece seis meses depois. Ambientes de teste que ninguém desligou, discos de máquinas apagadas, cópias de segurança guardadas indefinidamente. A factura sobe devagar e ninguém repara.
A solução é aborrecida e eficaz: etiquetar todos os recursos por projecto, rever a factura uma vez por mês com a lista do que foi criado, e definir um limite de alerta por ambiente.
Cloud, híbrido ou nenhum dos dois
A resposta certa para muitas empresas moçambicanas não é "tudo na cloud". É híbrida: os sistemas que precisam de estar disponíveis de fora e que sofrem picos vão para a cloud; os que dependem de equipamento local ou de ligação permanente ficam no sítio, com backup replicado para fora.
Se quiser uma leitura honesta sobre qual destes cenários é o seu, a avaliação de infra-estrutura é o ponto de partida: inventário, custos actuais, riscos e uma recomendação com números.



